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Gab Ferreira reflete sobre autoconhecimento em “visions”

Alguns meses de puro tédio trouxeram o melhor da cantora e compositora, confirmada no lineup do Primavera Sound e Lollapalooza Brasil

Texto Mariana Marvão
Foto Diolinha 

Gab Ferreira nos mostra que em pouco mais de dois anos uma pessoa pode mudar e muito (principalmente quando você passa por uma pandemia). Desde que se mudou para São Paulo no início de 2019, ela vem desbravando a cidade, conhecendo novas pessoas, e entendendo mais sobre a cena musical e dela mesma. Com alguns imprevistos no meio do caminho, a artista lançou sua nova mixtape, visions, em abril deste ano. 

Da mesma forma em que realizou o sonho de morar na cidade grande, a mudança atrapalhou um pouco o seu processo criativo.“Foi importante ter tirado um ano para sair da minha zona de conforto, com certeza teve um impacto na minha identidade, tanto musicalmente, quanto num âmbito pessoal. A pandemia pausou toda  a doideira, algo crucial para conseguir enxergar as coisas pelo macro. Dar um passo pra trás e refletir sobre o que vivi”, comenta Gab. 

Quando o isolamento começou, a cantora viu os freelas diminuírem, mas acompanhou o custo de vida na cidade aumentar.  O jeito foi voltar para Criciúma, cidade onde nasceu e onde seus pais ainda moram: “O ano de 2020 foi completamente dissociativo e paralisante. A volta foi muito estranha, ter saído de lá uma pessoa e voltar para o mesmo ambiente. Não posso mentir, senti que tinha fracassado, desistido de tudo que eu tinha construído em São Paulo. Mas percebi que tudo de melhor que eu faço, é feito na base do tédio. Eu estava muito entediada e também muito pessimista, então tudo que me restava era produzir, fiquei semanas trancada no meu quarto compondo tudo que era tipo de música.”

visions mostra o seu amadurecimento, diferente da sua primeira mixtape, Lemon Squeeze, que traz a sua perspectiva adolescente do amor romântico, por meio de uma leitura inocente e fantasiosa, carregada de um ar melancólico. A nova mixtape dialoga sobre a dualidade e os diversos lados de uma história, onde você pode ser o monstro e também a vítima. 

 “Fico muito feliz em falar que a mixtape abrange uma outra gama de tópicos, para além dos relacionamentos. Com o tempo, venho conseguindo escrever sobre tópicos que são mais sensíveis para mim. Eu sempre deixo muitas lacunas nas minhas letras, acho que é bom quando você quer criar algo relatable. Quanto mais amplo o contexto, mais fácil é para alguém ouvir e se conectar com alguma situação que ela está vivendo. Todas as músicas são representações sobre situações que eu vivi.”

A construção do projeto foi meio “frankenstein”, que começou quando escutou as ideias descartadas para LS para resgatar algumas coisas, somadas ao que escreveu enquanto estava no sul. Em dezembro de 2020, enviou demos para o produtor RØKR (Roberto Kramer), que iniciou a produção e a gravação dos instrumentos: “A gente tem referências divergentes, então ele me tira do óbvio para criar algo que eu não imaginava, mas que fica melhor do que eu esperava”. Gab está confirmada no lineup do festival Lollapalooza Brasil em 2023, e se apresenta no dia 1º de novembro no Cine Joia, na programação do festival Primavera Sound, em São Paulo. 

*Matéria publicada pela primeira vez na sétima edição da Revista Balaclava, em novembro de 2021. 

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