[language-switcher]

Bivolt deseja conquistar novos públicos para voar ainda mais longe 

“Aonde eu puder cantar, eu vou cantar. Se rolar de fazer sertanejo ou funk, vou fazer. Eu gosto de música e de me expressar”, comenta a rapper em entrevista à Revista Balaclava.

Texto Larissa Franco
Foto Flávio Melgarejo

Das batalhas de rap na periferia paulistana, a escolhida como Artista Radar Spotify Brasil, na Times Square, em Nova York, e atração confirmada no SXSW, em Austin. Foi assim que a cantora Bivolt se encontra atualmente: com seu rosto estampado em outdoors, sua música na trilha sonora da novela e hits em todas as plataformas digitais. 

O seu caminho vem sendo trilhado há uma década, onde se tornou a primeira rapper brasileira a se apresentar no Rock In Rio, em 2017, e a primeira mulher a integrar o casting de rap da gravadora Som Livre, em 2019. Aos poucos, Bivolt se tornou um dos principais nomes da cena nacional. 

Em 2020, ela lançou o primeiro álbum. Intitulado Bivolt, o trabalho tem 15 faixas, direção artística do produtor musical Nave, além de participações especiais de nomes  como Xênia França, Tasha & Tracie, Dada Yute, Jé Santiago e Lucas Boombeat. 

Já o álbum Nitro, lançado em outubro de 2021, conta com oito faixas, que exploram outras facetas da artistas. A sonoridade vai do brega ao funk, e apresenta feats com Gloria Groove, Emicida e Duda Beat. Ambos os trabalhos foram lançados durante a pandemia, e a cada novo passo, ela também precisa reinventar o seu jeito de trabalhar. 

Apesar dos pesares, a lista de conquistas só aumenta. Com humildade e sempre valorizando quem a apoiou desde o início, Bivolt exalta suas raízes e carrega as suas vivências com muito orgulho. O seu destino é um livro aberto e ela não nega a vontade que tem de conquistar o mundo. 

Você iniciou sua carreira dez anos atrás na Batalha do Santa Cruz e hoje possui música como trilha sonora na novela das 21h. Como você avalia essa última década? Qual é a sensação de ter uma música na novela? 

É, estamos falando de novela das nove hahaha. Olha, eu fico muito feliz porque falando de gosto popular, é a novela com mais audiência, é o horário nobre. Nós crescemos ouvindo, assistindo, acho que todo mundo já assistiu uma novela na vida, então assim, eu sou super noveleira, passei muito tempo sem assistir televisão na minha vida e de repente me tornei aquilo que eu mais temia, a noveleira (risos). Então eu estou muito feliz mesmo de ter a minha música ali, dando vida para um personagem, é bem gratificante. Uma vitória para o rap como um gênero musical, sem palavras, sou muito grata mesmo.

O que você diria para a Bivolt de dez anos atrás?

Bicha não case, vá viver sozinha, grave suas músicas, lance, acredite em você, não perde o foco com besteira e se apegue no que realmente importa, porque tudo isso aqui vai passar e você vai permanecer.

Como a pandemia impactou o seu processo criativo? Quais foram os maiores desafios? 

O maior desafio foi a pandemia, e está sendo porque tive shows cancelados, então é difícil listar uma só coisa. Quando a gente vê que até agora tem pessoas morrendo, então não atrapalhou só o meu processo criativo, atrapalhou a minha vida. Perdi pessoas, tive que me reinventar de várias maneiras, então é complicado, mas a gente transforma tudo em música. Eu continuei trabalhando, fiz e lancei um novo álbum, criei os dois na pandemia, sou a garota pandêmica.

Em Nitro, você faz feats com Duda Beat, Gloria Groove e Emicida. Você já queria trabalhar com eles antes? 

Olha, eu sempre quis trabalhar com a GG, sempre quis trabalhar com o Emicida, a Duda é uma artista da atualidade que eu acho que está fazendo um trabalho excelente, então foi uma junção de artistas que eu realmente consumo, que eu realmente admiro e eu quis ter essas pessoas incríveis e talentosas e exemplos para estar comigo nessa. Principalmente a GG e o Emicida que vieram do rap e hoje representam o Brasil a fora de tanto jeito, é muito importante mesmo ter eles comigo, e a Duda foi uma surpresa incrível, eu acho que a gente tem uma música que eu ainda não consigo nem expressar a importância, a gente uniu dois ritmos, Sudeste e Nordeste brasileiro, as mulheres fazendo essa união é sempre foda, é sempre incrível, então todas as participações foram escolhidas a dedo e são pessoas que eu amo muito, que eu admiro muito.

Tem algum artista que você ainda sonha em fazer feat?

Ah, várias pessoas, quero muito fazer com o Mano Brown, quero fazer com Anitta, com Ludmilla, quero fazer feats internacionais, inclusive esse ano eu vou fazer o meu primeiro show internacional, então assim, eu estou muito feliz com essa fase, com as coisas que a gente está colhendo até agora, só tenho a agradecer e comemorar muito, porque vai ser incrível.

Você também é amiga do Luccas Carlos, né? Ia ser demais um feat de vocês!

Sou hahaha, aguardem que vai vir ainda. Eu e o Luccas somos as pessoas que gravam música e nunca soltam, devemos ter umas duas ou três que nunca saiu, mas vai rolar, aguardem.

Você foi indicada ao Grammy Latino, saiu na Times Square, foi capa da playlist Ecoando Rap da Amazon Music Brasil, venceu prêmios… O que você ainda almeja no horizonte? 

O horizonte, eu acho que eu quero o horizonte, tudo o que eu puder ter, eu quero tudo o que a vida tem para oferecer. Eu quero expandir a minha arte, quero mostrar para o mundo, quero viver para música, para o meu sonho, quero viver e ao mesmo tempo que eu viver eu já estar realizando sonhos. Então todas essas coisas que você falou são vitórias que eu não vejo hoje que são minhas, eu acredito muito que se eu erro ou minha equipe erra é culpa minha, mas tipo, se a gente vencer, a gente conquistar, é nossa, é mérito nosso. E eu estou vivendo assim, em uma fase que eu estou muito confiante pelo o que está por vir, estou em uma fase de processo criativo, isso significa o quê? Que eu estou trabalhando em novos projetos para apresentar para vocês esse ano, e é isso, eu quero o mundo.

Você lançou dois discos durante a pandemia, como Bivolt e Nitro se aproximam e se distanciam? 

Vou começar a falar do Nitro, ele é um álbum bem mais curtinho do que o primeiro né, porque ele veio, ele é uma extensão, ele é um upgrade, ele é um nitro mesmo para essa fase, ele tem toda uma identidade visual da qual eu estou conversando agora, eu estou nessa onda, então eu acho que musicalmente falando é onde eu exploro mais as minhas raízes e as coisas que eu gosto e consumo. Já o Bivolt é uma tradução de quem é a Bivolt, que tem um lado 110, tem um lado 220, então o álbum circula por todo esse conceito, ele é um álbum conceitual, eu escolhi essa forma para traduzir quem eu sou exatamente para o primeiro álbum. É um álbum todo inspirado em mim, na minha história, já o Nitro vem com ascensão, com conquista, com uma coisa incrível sentimentalmente falando, e musicalmente falando são minhas influências assim, meu dia a dia, o fluxo, a quebrada.

Me conta sobre a criação de “110v” e “220v”? 

Desde o início, a meta era fazer duas músicas que virassem uma terceira. A minha estratégia foi fazer uma parte mais melódica de um lado, com um beat mais suave, e poucos elementos. Para que o beat do outro lado fosse mais pesado na bateria, que o flow, a métrica, fosse mais de rima mesmo. Justamente para explicar o conceito bivolt né, são sete músicas que são mais rap, e outras sete mais experimentais e melódicas. Dessas músicas eu escolhi uma para abrir e outra para fechar o álbum, e um pouco depois eu lancei a “Bivolt”, que é a música que dá o nome ao disco, e é o meu nome hahaha, e está aí, está na vida, a ideia foi exatamente criar esse feat comigo mesma.

Quais caminhos você sente a sua música percorrendo? 

Cara, eu acho que a minha música vai para onde ela quer, às vezes a gente espera fazer uma coisa para um público X, e é outro público que abraça. A minha música sempre conversou com a periferia, e hoje eu vejo que fazendo outros tipos de sonoridade, como por exemplo, um mix com outro artistas, a gente acaba sim conversando mais com outros públicos, e eu tenho feito uma coisa mais para o pop também, porque eu acho que eu converso com esse lugar. A minha arte é uma arte sem rótulos, sem títulos. Aonde eu puder cantar, eu vou cantar, se rolar de fazer um sertanejo, se rolar de fazer funk e tudo o que eu puder fazer eu vou fazer, porque eu gosto de música, gosto de me expressar. E é sobre.

Gostou? Temos também essas outras matérias

Mitos e verdades sobre o processo de mixagem

Investigamos a questão com a ajuda de Vivian Kuczynski, Rafaela Prestes e Ana Frango Elétrico. Entre falácias, processos, nuances e tecnologia, a arte de mixar não tem uma única resposta. Entenda mais a seguir: